Nos
séculos XVII e XVIII assiste-se, sobretudo na região minhota, a um aumento
significativo da prática religiosa cristã. Tornava-se imperioso que a Igreja
católica correspondesse àquela extraordinária crença das populações, tanto mais
que a maior procura das práticas religiosas motivou um aumento significativo
das receitas para a Igreja, enriquecendo-a ainda mais. Grande parte dos templos
minhotos foram remodelados e novas igrejas e capelas foram edificadas. Pessoas
mais abastadas deram o seu contributo para este fenómeno sem precedentes,
promovendo a construção de lugares de culto, nomeadamente pequenas capelas,
anexadas às suas moradias.
“Mas
construir de raiz uma capela não era fácil, porque obrigava à consignação de um
número muito razoável de bens para a sua fábrica”.
Não
bastava edificar o templo, era condição “sine
qua non” legar à Igreja uma parte significativa da riqueza dos novos
benfeitores em nome de “Deus”.
José
de São Paio, abastado proprietário, morador no lugar do Tojal, junto à Ponte
Nova, requereu, em 18 de Fevereiro de 1753, a construção de uma capela em honra
do seu nome. O pedido alega que o preconizado templo serviria também os
moradores dos lugares de Portugal e “Moinhos do Ferro”.
José
São Paio viu autorizado o seu pedido em 15 de Abril de 1753. O documento
incluía uma escritura pública com o dote para a fábrica e conservação da capela
do qual citamos aqui o excerto seguinte: … Sua propriedade de casas, campo e
hortas, com suas árvores de vinho, fruto e sem ele, e com suas oliveiras,
chamado de Portugal, da mesma freguesia de Fafe, o que tudo disse era herdade
dízima a Deus de que se não paga renda alguma, que bem vale cento e cinquenta
mil réis e rende a meada, um ano por outro, cinco mil réis…”
Cerca
de dois anos depois da autorização, em Dezembro de 1755, a capela estava
erigida.
No
dia 4 de Fevereiro do ano seguinte, foi expedida uma licença para a prática
cultual. “… Acha-se acabada e com perfeição, com retábulo de pedra, bem
lavrada, forrada e rebocada, tem paramentos próprios e não necessita mais que
de licença de Vossa Alteza Sereníssima para poder benzer-se e celebrar-se os
ofícios divinos…” Um excerto da informação que o pároco de Fafe, José Lopes de
Paiva, enviou para o Arcebispado Primaz de Braga, em 25 de Janeiro de 1756.
A
licença, que custou 180 réis, foi emitida cinco dias depois por D. José,
Arcebispo de Braga. “… Concedemos a licença a ele dito pároco para que, na
forma do ritual Romano, possa benzer a capela de São José de que trata, e ao
depois de benta nela se possam celebrar os ofícios divinos…”
A
capela de S. José abriu ao culto em 30 de Janeiro de 1756, quase três anos
depois do pedido de construção.
Algumas
características arquitectónicas deste templo revelam um arcaísmo pouco usual em
setecentos. O belíssimo retábulo, todo ele em granito lavrado, é um caso raro
em capelas do século XVIII.
Eduardo
Pires Oliveira referiu: … “Esta capela de S. José assume-se assim, não só como
mais um templo importante para o culto de uma parte significativa da freguesia
de Santa Eulália de Fafe mas, também, como um templo mandado edificar por gente
de certas posses, por alguém que preferiu mandar levantar uma capela em pedra
lavrada, adornada por alguns elementos fortemente decorativos, em vez de um
templo construído de pedra irregular, coberta por reboco e cal branca que teria
sido muitíssimo mais barato, mas também muito menos espectacular”.
Os
actuais proprietários da capela são um exemplo positivo na salvaguarda do património
arquitectónico. Ao longo do tempo têm promovido obras de conservação e restauro
que preservam aquela pérola do património religioso de Fafe.
Jesus
Martinho
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