terça-feira, 12 de janeiro de 2016

CAPELA DE S. JOSÉ



Nos séculos XVII e XVIII assiste-se, sobretudo na região minhota, a um aumento significativo da prática religiosa cristã. Tornava-se imperioso que a Igreja católica correspondesse àquela extraordinária crença das populações, tanto mais que a maior procura das práticas religiosas motivou um aumento significativo das receitas para a Igreja, enriquecendo-a ainda mais. Grande parte dos templos minhotos foram remodelados e novas igrejas e capelas foram edificadas. Pessoas mais abastadas deram o seu contributo para este fenómeno sem precedentes, promovendo a construção de lugares de culto, nomeadamente pequenas capelas, anexadas às suas moradias.

“Mas construir de raiz uma capela não era fácil, porque obrigava à consignação de um número muito razoável de bens para a sua fábrica”.
Não bastava edificar o templo, era condição “sine qua non” legar à Igreja uma parte significativa da riqueza dos novos benfeitores em nome de “Deus”.
José de São Paio, abastado proprietário, morador no lugar do Tojal, junto à Ponte Nova, requereu, em 18 de Fevereiro de 1753, a construção de uma capela em honra do seu nome. O pedido alega que o preconizado templo serviria também os moradores dos lugares de Portugal e “Moinhos do Ferro”.




José São Paio viu autorizado o seu pedido em 15 de Abril de 1753. O documento incluía uma escritura pública com o dote para a fábrica e conservação da capela do qual citamos aqui o excerto seguinte: … Sua propriedade de casas, campo e hortas, com suas árvores de vinho, fruto e sem ele, e com suas oliveiras, chamado de Portugal, da mesma freguesia de Fafe, o que tudo disse era herdade dízima a Deus de que se não paga renda alguma, que bem vale cento e cinquenta mil réis e rende a meada, um ano por outro, cinco mil réis…”

Cerca de dois anos depois da autorização, em Dezembro de 1755, a capela estava erigida.
No dia 4 de Fevereiro do ano seguinte, foi expedida uma licença para a prática cultual. “… Acha-se acabada e com perfeição, com retábulo de pedra, bem lavrada, forrada e rebocada, tem paramentos próprios e não necessita mais que de licença de Vossa Alteza Sereníssima para poder benzer-se e celebrar-se os ofícios divinos…” Um excerto da informação que o pároco de Fafe, José Lopes de Paiva, enviou para o Arcebispado Primaz de Braga, em 25 de Janeiro de 1756.

A licença, que custou 180 réis, foi emitida cinco dias depois por D. José, Arcebispo de Braga. “… Concedemos a licença a ele dito pároco para que, na forma do ritual Romano, possa benzer a capela de São José de que trata, e ao depois de benta nela se possam celebrar os ofícios divinos…”
A capela de S. José abriu ao culto em 30 de Janeiro de 1756, quase três anos depois do pedido de construção.
Algumas características arquitectónicas deste templo revelam um arcaísmo pouco usual em setecentos. O belíssimo retábulo, todo ele em granito lavrado, é um caso raro em capelas do século XVIII.





Eduardo Pires Oliveira referiu: … “Esta capela de S. José assume-se assim, não só como mais um templo importante para o culto de uma parte significativa da freguesia de Santa Eulália de Fafe mas, também, como um templo mandado edificar por gente de certas posses, por alguém que preferiu mandar levantar uma capela em pedra lavrada, adornada por alguns elementos fortemente decorativos, em vez de um templo construído de pedra irregular, coberta por reboco e cal branca que teria sido muitíssimo mais barato, mas também muito menos espectacular”.
Os actuais proprietários da capela são um exemplo positivo na salvaguarda do património arquitectónico. Ao longo do tempo têm promovido obras de conservação e restauro que preservam aquela pérola do património religioso de Fafe.

Jesus Martinho  




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