quinta-feira, 19 de novembro de 2015

TEATRO-CINEMA EM 1923



O Teatro-Cinema de Fafe, jóia da coroa do património arquitectónico local,  renasceu de um "velho barracão", em inícios dos anos 20, por iniciativa de José Summavielle Soares.
 Em Novembro de 1923 a remodelação do edifício estava prestes a concluir, para contentamento dos fafenses, reflectido na imprensa local.
O emblemático jornal "O Desforço" deixou-nos este artigo de elogio bairrista, à obra e ao homem.
O Teatro-Cinema viria a ser inaugurado no dia 10 de Janeiro de 1924. 
  


TEATRO DE FAFE

«… O Teatro de Fafe era um edifício velho, condenavel, mas o adorável folho de Fafe sr. dr. José Summavielle Soares, adquiriu-o, fez dele o teatro mais moderno, mais luxuoso, mais elegante, mais confortável que em terras de província não existe e que nos grandes meios poucos existirão que forneçam ao artista e ao publico tantas comodidades. Para isso não se tem poupado a despesas, dotando o teatro com tudo quanto há de melhor.



A pintura é a mais fina, feita por artistas do Porto. O mobiliário é luxuoso, artístico, confiado a uma das mais acreditadas casas do Porto – “A Japonesa, Limitada».
Situado na rua Mgr. Vieira de Castro, em frente à majestosa habitação do sr. Summavielle, o teatro, para ficar nas condições em que fica, não podia senão ser adquirido por este senhor, pois que os terrenos laterais e posterior, para onde cresceu o palco e onde se formaram os camarins, pertencem ao sobredito senhor.




Adquirindo a velha casa de espectáculos, o grande e admirável impulsionador de Fafe prestou mais um bom serviço a esta linda e encantadora terra, pois a dotou com um edifício admirável que muito o honra e que, se mais coisas não tivesse a perpetuarem-lhe o nome, o novo teatro era o suficiente para isso.
Ampliado o palco, como dissemos, o teatro sofreu uma transformação completa. Quem conhecia o velho casario e hoje ali entre, defronta com um paraíso. Essa modificação excede a espectativa. Duas ordens de camarotes, frisas, plateia vedada, com um pano de boca moderno, o geral convidativo – o Teatro de Fafe há-de sobressair com a profusão de luz que vai ter em noites de gloria como vae ser a da inauguração que nos dizem está para os primeiros dias de Dezembro.



Ali há higiene, segurança contra incêndios: sim porque o teatro está reconstruído nas mais modernas condições.
A entrada preserva contra os gelos do inverno.
O salão nobre vae ficar uma coisa surpreendente, original, ultrapassando o timbre do luxo.




O frontispício está sofrendo uma pintura artística, adaptável a asa de espectáculos.
Eis o que, em breves palavras, se nos oferece dizer do Teatro de Fafe.
E, para rematar, vamos antecipando as mais entusiásticas felicitações ao sr. dr. José Summavielle Soares».

IN: Jornal “O Desforço”, 8 Novembro 1923

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