segunda-feira, 21 de setembro de 2015

ADAPTAÇÃO DA CENTRAL HIDROELÉCTRICA DE SANTA RITA UMA IDEIA LUMINOSA



Ao folhear o último número do jornal Notícias de Fafe, de 18 de Setembro, deparei com uma notícia que não resisto em comentar.

A peça refere-se a um projecto de adaptação da velha Central Hidroeléctrica de Santa Rita, inaugurada há 101 anos, ultimamente requalificada, transformada em núcleo museológico, de portas fechadas, que só esporadicamente recebe visitas por marcação.
Lembre-se que esta central e toda a sua infraestrutura é um exemplo único em toda a região, correspondendo ao último testemunho dos primórdios da electricidade pública em Fafe.

A notícia refere a intenção do vereador José Baptista em “dar nova vida” à central, mantendo o museu, valorizando-o com a instalação de um moderno grupo produtor de energia hidráulica que, segundo o autarca, poderá render “acima dos 20.000 euros mensais”.

O Município tem desenvolvido esforços no sentido de ver aprovada a eventual exploração do rio, um processo que está a ser tratado por uma empresa especializada, afirma José Baptista, que acredita na requalificação daquela pérola do nosso património industrial.
Refira-se que o projecto inicial da central de Santa Rita contemplava um segundo grupo, nas traseiras do edifício, que não chegou a ser instalado.
Seria no mínimo curioso, passados mais de 100 anos, cumprir essa intenção, restituindo a vida àquele importante património, há muito tempo mergulhado no rio do esquecimento.

Jesus Martinho

Fafe, 19 de Setembro de 2015



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

ANIMAÇÃO CULTURAL EM FAFE “Não há fome que não dê em fartura”






Alguns sectores da sociedade fafense, senão os fafenses em geral, queixam-se da falta de animação cultural na cidade, sobretudo em fins-de-semana.
Nos últimos anos esta tendência foi alterada para melhor e o centro da urbe passou a receber eventos de rua com maior frequência; As próprias Festas do Concelho foram parcialmente devolvidas ao centro cívico.

É claro que é preciso animar culturalmente as cidades, com uma oferta de qualidade, para os mais diversos públicos e gostos.
Fafe parece estar no bom caminho para, finalmente, sair da casca e revelar-se ao país e ao mundo.

Até há bem pouco tempo a “Sala de Visitas do Minho” não recebia com a frequência desejada; estava como que entreaberta para o exterior.
Nunca Fafe teve tanta repercussão como agora; Em poucos anos Fafe já passou pelas Televisões mais vezes que em décadas anteriores (por bons motivos).
Nas redes sociais, até aqui “censuradas” pelo Município local, Fafe alcançou também uma enorme visibilidade, estreitando laços afectivos, sobretudo com quem está fora do concelho.

Os agentes culturais de Fafe têm, nos últimos anos, emprestado grande vigor na realização de inúmeros eventos que acontecem, por vezes, a um ritmo alucinante.
Este fim-de-semana, 18 a 20 de Setembro, a cidade extravasa eventos com uma quantidade de realizações sem precedentes, só comparável com a dinâmica dos anos áureos das “Jornadas Literárias de Fafe”, em 2012 e 2013.

Este fim de semana Fafe tem: O II Festival Gastronómico da Vitela à Moda de Fafe com 26 eventos; "Fafe dos Brasileiros" com 18 iniciativas; O II Festival de Teatro de Fafe "FAFENCENA" com um espectáculo; A Semana Europeia da Mobilidade cujo programa detalhado está por revelar; A reabertura do Club Fafense; O 1º Encontro de Engenharia de Fafe; O II Passeio Automóvel "Aos Sabores de Fafe"; A Mega Aula Zumba Solidária dos Bombeiros Voluntários e o 8º Festival Nacional de Folclore.

Como diz o chavão: “Não há fome que não dê em fartura”!

Jesus Martinho




OS EVENTOS E OS PROGRAMAS PARA ESTE FIM DE SEMANA
18 a 20 de Setembro


































domingo, 13 de setembro de 2015

UMA COZINHA TRADICIONAL


Uma recriação do Grupo Folclórico da Casa do Povo de Arões, S. Romão

A INDÚSTRIA DA TRANÇA DE PALHA UM TESTEMUNHO DO INÍCIO DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX


  
«É esta uma das indústrias mais características do concelho e, das pequenas industrias, talvez a que maior número de pessoas ocupa.
A trança é feita de colmo molhado, que se traz em molhos muito pequenos, debaixo do braço esquerdo. No mesmo braço dependura-se a trança, à medida que esta vai crescendo e, quando a porção já é suficiente, vende-se às braças, para freguesias onde se confeccionam chapéus, entre outras, Travassós – foco de actividade máxima -, Vinhós e Golães.

A confecção da trança parece uma brincadeira; um entretenimento proveitoso é-o, pelo menos, para algumas pessoas, porque, não exigindo grande ciência nem atenção, permite que nela trabalhe quem quer que seja, sem excluir crianças, mesmo dos dois sexos.





Destina-se sobretudo ao sexo fraco que, desde o levantar ao recolher, não dá repouso aos dedos.
Em algumas excursões que fiz, particularmente pelo norte e centro do concelho, quase não vi gente ociosa. Pelo contrário, as raparigas e velhas estão tão afeitas à trança, que só quase a largam para tomarem as refeições.

Ainda não tocou para a missa de fazer e já a ela estão agarradas. Nela vão trabalhando até à porta da igreja, onde provisoriamente a deixam, enquanto entram a rezar e, apenas saem, retomam a sua tarefa que não mais abandonam.
Isso não obsta a que se entreguem a outras ocupações. E é assim mesmo. Guardam ou conduzem gado, transportam fardos, cestos ou feixes de crótchas  ao mesmo tempo que entre os seus dedos fazem correr maquinalmente a trança. Outras vezes, a mãe faz-se acompanhar do seu filhinho mais novo, daquele que ainda não é capaz de a imitar neste trabalho, e leva-o até à fonte a vigiar o cântaro da água, para que o seu serviço renda e não tenha de ser interrompido.




Tem-se divulgado tanto esta indústria que o número de adeptos, sempre crescente, já se não confina apenas à parte setentrional do concelho, mas invade o centro em direcção ao sul. A gente nova prefere este modo de vida a todos os outros, porque, além de fácil, lhe permite conversar e deslocar-se pela aldeia, até à vila, sem prejuízo do rendimento do trabalho. 

Nas aldeias em que esta indústria está mais florescente, usam-se as «fazidas de trança», serões exclusivamente destinados a este serviço.
Nos dias de feira, acorrem a Fafe aldeãs de todos os pontos do concelho que aí vêm abastecer-se e vender, a par dos produtos das suas laboiras, enormes rimas de chapéus de palha. Nem ali afrouxam o seu trabalho, continuando a interminável faina da trança, enquanto atendem ou procuram convencer algum freguês.



O concelho, não só fornece todo o país, mas exporta também frequentemente, para o estrangeiro, grande quantidade desses chapéus.»


In: “Fafe – Contribuição para o Estudo da Linguagem, Etnografia e Folclore do Concelho”, Maria Palmira da Silva Pereira, Coimbra 1952.

Fotos colhidas no evento "Caminhos de Camilo" realizado em 24 de Março de 2012, no âmbito das III Jornadas Literárias de Fafe.